O Superman continua desaparecido das HQs em abril, mas a DC convoca um exército de substitutos
Para os fãs do Homem de Aço, trago uma notícia que pode ser difícil de engolir: ainda não sabemos o paradeiro do Superman após o clímax do evento DC K.O., previsto para março. Isso não é exatamente um bom presságio para o destino do herói nessa saga de pancadaria, especialmente se considerarmos que perder uma mão já parecia ruim o suficiente. No entanto, a ausência do kryptoniano original não significa que os títulos da “Família Superman” ficarão vazios em abril. Clark Kent até vai dar as caras, mas talvez não seja a versão que os leitores estão acostumados a ver.
Já sabíamos que Jon Kent passaria por grandes mudanças em Superman Unlimited #12, como parte do arco Reign of the Superboys (O Reinado dos Superboys) que começa em março. Agora, a editora revelou o que vai acontecer nos outros títulos da franquia, prometendo destaque para Superboy Prime, Supergirl e até participações inesperadas.
O caos em Kandor e viagens no tempo
Em Supergirl #12, com lançamento agendado para 8 de abril, a roteirista e desenhista Sophie Campbell coloca a Garota de Aço em uma situação delicada. Kara terá que lidar com uma ameaça a Kandor totalmente despida de seus poderes. A descrição oficial da DC aponta para um conflito crescente entre o Conselho de Ciências e os kandorianos mais jovens. O primeiro embate de Supergirl com a líder rebelde Black Flame termina mal, deixando a heroína ferida e forçando-a a buscar ajuda justamente no Conselho. O problema é que a solução deles envolve um clone poderoso capaz de derrubar qualquer um, o que abre as portas para a entrada do “Team Thunder”.
No mesmo dia, Action Comics #1097 trará um Clark Kent adolescente encontrando seu próprio futuro. Sob a batuta de Mark Waid e com arte de Skylar Patridge, heróis do amanhã chegam ao passado precisando da ajuda do Superboy. A premissa gira em torno do que um jovem Clark pode fazer que esses heróis veteranos não conseguem, virando Smallville de cabeça para baixo enquanto o arco Reign of the Superboys continua a se desenrolar.
Mas se o Superman sumiu e a Supergirl está ocupada com a política interna de Kandor, quem fica de olho em Metrópolis? A resposta chega em 22 de abril, nas páginas de Superman #37, pelas mãos de Joshua Williamson e Dan Mora. O protetor da vez será o Clark Kent da Terra-Prime, também conhecido como Superboy Prime. Ele tentará viver à altura do exemplo do Superman original, arranjando um emprego comum e uma nova identidade secreta. Contudo, o “fanboy” que existe dentro dele quer explorar todo o Universo DC, o que complica as coisas, já que muitos heróis não confiam nele e preferem vê-lo trancafiado.
Por que o Superman abandona suas próprias revistas com tanta frequência?
Fica claro que abril será um mês movimentado, mesmo com a nossa curiosidade sobre o destino do verdadeiro Kal-El. Essa situação levanta uma questão histórica interessante: por que o personagem que lançou a era moderna dos super-heróis em Action Comics #1 é frequentemente deslocado de seus próprios títulos?
Estamos nos preparando para ver isso acontecer novamente com Reign of the Superboys, um evento cujo título é emprestado diretamente de O Retorno do Superman (no original, Reign of the Supermen), uma saga famosa justamente pela ausência do Homem de Aço. Para entender essa recorrência, precisamos olhar para o passado. Entre as edições #601 e #642, a Action Comics se tornou uma antologia semanal chamada Action Comics Weekly, onde o Superman deixou de ser o destaque principal para dar espaço a personagens como Asa Noturna, Lanterna Verde e Canário Negro. Foi um experimento que eventualmente acabou, levando à famosa “Era do Triângulo” dos anos 90.
O exemplo mais emblemático, obviamente, foi a morte do herói em 1992. Esse evento ilustra perfeitamente por que remover o Superman de suas revistas funciona narrativamente. Diferente de outros ícones como o Batman — que quando substituído (como em A Queda do Morcego), precisa retornar ao status quo rapidamente porque o público rejeita a mudança — existe uma tolerância maior para períodos sem o Superman. Isso não acontece porque os leitores não se importam com Clark Kent, mas sim pelo peso que ele carrega.
O vazio que define o herói
No universo da DC, o Superman é o padrão-ouro, a figura que todos admiram. Quando ele desaparece, deixa um vácuo tangível. Essa ideia permeia a identidade da editora, algo explorado magistralmente em Grandes Astros: Superman, onde a simples ideia do herói é apresentada como inevitável. Uma presença tão poderosa cria um buraco igualmente significativo quando é removida.
Quando ele morreu nos anos 90, não foi apenas uma desculpa para pancadaria; foi uma oportunidade para os roteiristas, através do arco Funeral para um Amigo, examinarem o que o Superman significava para o mundo que deixou para trás. Dan Jurgens preparou aquele terreno mostrando o impacto dos momentos finais do herói em seus amigos e aliados.
Outras histórias exploraram isso de maneiras distintas. Antes mesmo de sua morte, o Superman se exilou no espaço após executar o General Zod, o que indiretamente levou à criação da Supergirl daquela década (a Matrix). Mais tarde, durante a saga Novo Krypton, ele deixou a Terra para viver na lua, e Mon-El assumiu a responsabilidade em Metrópolis. Ver Mon-El tentando preencher esse espaço, operando de forma diferente sob a sombra do legado do Superman, trouxe um frescor para as revistas. O simples fato de passarmos uma edição sem ver o rosto de Clark Kent é suficiente para fazer uma era parecer distinta, reforçando que, às vezes, a melhor maneira de entender a importância do Superman é sentir a falta dele.